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Guilherme Arantes demole fronteiras do tempo no universo particular do amoroso álbum 'Interdimensional'

Artista apresenta inspirada safra de músicas inéditas que cruzam referências dos 50 anos de carreira solo do cantor, um dos grandes artesãos do pop brasileiro.

Lúcio Oliver 16/01/2026 às 09:34 45 visualizações
Guilherme Arantes demole fronteiras do tempo no universo particular do amoroso álbum 'Interdimensional'
Capa do álbum 'Interdimensional', de Guilherme Arantes — Foto: Leo Aversa

♬ Aos 50 anos de carreira solo, completados em 2026, Guilherme Arantes nada mais tem a provar a ninguém. Ainda assim, mesmo já tendo lugar garantido no panteão dos grandes artesãos da canção brasileira de todos os tempos, o artista paulistano parece querer provar que a chama da criação ainda arde.


“Interdimensional” – álbum autoral de músicas inéditas que Arantes apresenta hoje, 15 de janeiro, em edição digital e nos formatos físicos de LP duplo e CD – atesta que o pulso do compositor ainda pulsa. Forte.


Ao longo de 15 faixas que combinam 10 músicas inéditas e cinco regravações de canções recentes fornecidas pelo compositor para o grupo Boca Livre e para as cantoras Alaíde Costa, Claudette Soares e Gal Costa (1945 – 2022), Arantes derruba as fronteiras do tempo ao cruzar referências eternas no universo particular de repertório que apresenta algumas pérolas.


O brilho melódico da valsa “Luar de prata” – que parece ecoar tanto Ernesto Nazareth (1863 – 1964) quanto Francis Hime – atinge o sublime em feat de Arantes com Mônica Salmaso em gravação que também evoca Pixinguinha (1897 – 1973) no sopro das flautas de Teco Cardoso.


“Luar de prata” por si só já justificaria a existência do álbum “Interdimensional”. Mas há muito mais no álbum anunciado em 9 de dezembro com a pegada black do single “Libido da alma”. Canção que prega a força do amor como arma pacífica e antídoto para diluir o ódio propagado nos tribunais das redes sociais, “Minúcias” provoca alumbramento quando entra no refrão.


“Interdimensional” é álbum mais coeso do que o antecessor “A desordem dos templários” (2021) e também mais identificado com a estética sonora plural deste cantor, compositor e músico, mago das teclas.


Basta ouvir “Enredo de romance” para detectar a tentativa de emular o pop feito pelo próprio Arantes entre a segunda metade dos anos 1970 e o início dos anos 1980, década de explosão pop cuja fagulha inicial foi disparada anonimamente por Arantes como parceiro não creditado de Júlio Barroso (1953 – 1984) em “Perdidos na selva”, hit de festival de 1981.


Jamais procurando soar moderno, talvez por já se perceber eterno pela perenidade da obra, Guilherme Arantes fez de “Interdimensional” um álbum atemporal que já abre com bela balada de arquitetura clássica, “A vida vale a pena (I believe in love)”, adornada com piano e cordas.


A letra é de Nelson Motta, único parceiro de Arantes na safra 2026, e resume a ideologia de álbum que endeusa o amor com a alma romântica que orbita luminosa entre os timbres espaciais da balada “Intergaláctica: missão”. O espírito romântico do artista também anima a verborragia de “No mel dos seus olhos”, tentativa menos aliciante de cruzar referências do pop dos anos 1980 e da MPB da década de 1990. Nem o falso final valoriza a faixa.


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